A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu um alerta vermelho para a prevenção da leptospirose no Paraná, impulsionada pelos episódios recentes de precipitações e alagamentos em diversas regiões urbanas. A enfermidade infecciosa é transmitida por meio da exposição direta ou indireta à bactéria Leptospira, encontrada principalmente na urina de ratos e outros roedores.
De acordo com os registros oficiais da Sesa, entre os meses de janeiro e agosto, o estado contabilizou 1.051 notificações da enfermidade, resultando em 210 diagnósticos confirmados. As inundações favorecem a disseminação e a permanência do micro-organismo no ambiente, elevando o risco de surtos coletivos. O perigo persiste inclusive na lama remanescente em residências, veículos e móveis após o recuo da água.
Riscos e transmissão
O contágio ocorre quando a água contaminada entra em contato com ferimentos na pele, mucosas dos olhos, nariz e boca, ou ainda pela permanência prolongada do corpo em áreas alagadas. Conforme informações do Ministério da Saúde (MS), a patologia pode evoluir para quadros severos, apresentando taxa de letalidade de até 40% nas ocorrências mais graves.
“O volume de chuvas registrado no Paraná pode ajudar a aumentar os casos de leptospirose em alagamentos. É muito importante que as pessoas evitem o contato, não deixem crianças nadar nesta água e cuidem do seu entorno”, declarou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Sintomas e prevenção
Os sinais clínicos costumam se manifestar de cinco a 14 dias após a exposição, podendo o período de incubação alcançar até 30 dias. Entre os principais sintomas estão febre alta, dores de cabeça e musculares — com foco na panturrilha —, náuseas, vômitos, diarreia, dores nas articulações e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.
“A principal recomendação é evitar o contato direto com a água das enchentes ou alagamentos. Quando não for possível é importante utilizar equipamentos de proteção, que podem ser desde botas e luvas impermeáveis até sacos plásticos colocados nas mãos e pés”, orienta a chefe do setor de zoonoses da Sesa, Roselane Oliveira de Souza Langer.
A orientação oficial é que qualquer cidadão que apresente sintomas compatíveis após o contato com alagamentos procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber diagnóstico e iniciar o tratamento adequado com antibióticos.


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