O candidato ao governo do Paraná Sandro Alex protocolou uma denúncia contra Fiep junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). A peça questiona uma alteração recente no estatuto da entidade e o uso da estrutura institucional em eventos que contaram com a participação do senador Sergio Moro.
De acordo com os fatos apresentados, o senador participou em 2025 de diversos Fóruns Regionais da Indústria realizados pela Fiep em municípios paranaenses. A denúncia aponta que essas aparições teriam assumido caráter eleitoral e extrapolado a pauta do setor produtivo. O documento também questiona cinco contratos do Sistema Fiep, Sesi, Senai e IEL voltados à divulgação e infraestrutura desses encontros, cujos ajustes somam aproximadamente R$ 11,27 milhões, com execuções registradas acima de R$ 5,18 milhões.
Mudança estatutária sob escrutínio
Outro ponto central da representação envolve a saída de Edson Vasconcelos da presidência da Fiep em março de 2026, após se filiar ao PL para concorrer como vice na chapa de Moro. O texto aponta que o estatuto anterior impunha uma quarentena de cinco anos para dirigentes que renunciassem ou perdessem o mandato por incompatibilidade política.
Em 26 de agosto de 2026, contudo, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou a remoção dessa restrição para os casos de perda de mandato ou renúncia decorrentes de função política. Para a equipe jurídica que representa o autor da denúncia, o dispositivo foi criado sob medida para beneficiar o candidato a vice.
Posicionamento da Federação das Indústrias
Por meio de nota oficial, a Fiep informou que teve conhecimento da existência do procedimento no TCU, mas ressaltou que ainda não foi formalmente citada para apresentar manifestação. A entidade declarou que aguardará a notificação oficial para entregar documentos, atas e registros contábeis que comprovem a regularidade de seus atos.
A federação sustentou que a jurisprudência do tribunal reconhece a autonomia sindical e que a realização de assembleias durante eventos institucionais é uma prática comum para viabilizar quórum qualificado. Além disso, a nota classificou a antecipação do teor da representação à imprensa como uma tentativa de desgaste reputacional durante o período eleitoral.


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