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Aeroporto de PG vira alvo de disputa milionária e Prefeitura reage contra construtora

Administração municipal aponta falhas na entrega de documentos técnicos e suspende pagamentos da reforma.

Crédito da foto: Reprodução Aeronave comercial estacionada no pátio de aeroporto com equipe em solo
Aeronave comercial da Azul estacionada no pátio do Aeroporto Sant'Ana durante operação na pista, enquanto funcionários realizam procedimentos de solo em Ponta Grossa
Resumo da matériaAbrir resumo
  • A Prefeitura de Ponta Grossa instaurou um processo administrativo para apurar possíveis penalidades contra a Construtora Porto Beton S.A., responsável pelas obras de reforma e ampliação do Aeroporto Regional Comandante Antônio Amilton Beraldo, conhecido…
  • A medida ocorre após a administração municipal apontar descumprimentos reiterados na entrega de documentos técnicos considerados indispensáveis para analisar pedidos de reajuste e alterações contratuais.
  • A informação está registrada no Ofício nº 0110/2026, de 30 de outubro, encaminhado ao Ministério de Portos e Aeroportos.

A Prefeitura de Ponta Grossa instaurou um processo administrativo para apurar possíveis penalidades contra a Construtora Porto Beton S.A., responsável pelas obras de reforma e ampliação do Aeroporto Regional Comandante Antônio Amilton Beraldo, conhecido como Aeroporto Sant’Ana. A medida ocorre após a administração municipal apontar descumprimentos reiterados na entrega de documentos técnicos considerados indispensáveis para analisar pedidos de reajuste e alterações contratuais.

A informação está registrada no Ofício nº 0110/2026, de 30 de outubro, encaminhado ao Ministério de Portos e Aeroportos. O documento informa que a retomada dos serviços, prevista para o início de outubro, não ocorreu e que a nona medição do contrato permanece com processamento e pagamento suspensos.

A novidade mais recente é um despacho do Governo Federal, assinado em 3 de novembro de 2026, que encaminhou o caso para avaliação técnica e solicitou uma minuta de resposta, considerando a proximidade do fim da vigência do instrumento e o cenário de inclusão do aeroporto de Ponta Grossa no edital de repactuação da concessão do aeroporto de Brasília.

O despacho não anuncia uma solução definitiva, mas revela uma nova preocupação federal com o andamento do empreendimento e seu futuro.

Empresa apresentou documentos, mas Prefeitura aponta novas irregularidades

O impasse envolve o Contrato nº 188/2021, vinculado ao Termo de Compromisso nº 04/2019, firmado para viabilizar os investimentos na infraestrutura aeroportuária de Ponta Grossa. Segundo a administração municipal, a construtora recebeu prazo até 14 de outubro para apresentar o orçamento analítico do Terminal de Passageiros, as planilhas de medição atualizadas e esclarecimentos sobre divergências nos cálculos de reajuste.

No dia 15 de outubro, às 17h29, a empresa encaminhou novos documentos, incluindo 14 planilhas de atualização anual. Entretanto, após análises técnica e jurídica, a Prefeitura concluiu que a documentação continuava incompleta. O principal problema apontado foi a ausência do orçamento detalhado do terminal conforme o projeto aprovado.

Sem esse documento, a administração afirma que não consegue conferir adequadamente os serviços executados, calcular o reajuste contratual nem avaliar a viabilidade dos aditivos solicitados. O parecer jurídico municipal foi emitido em 26 de outubro e aprovado pelo Procurador-Geral em 27 de outubro. Com base nessas manifestações, a Prefeitura decidiu instaurar o processo administrativo nº 129136/2026.

A abertura do procedimento não significa que a empresa já tenha sido punida. As condutas deverão ser apuradas, com garantia de contraditório e ampla defesa. O contrato também prevê hipóteses de rescisão, que poderão ser examinadas conforme os resultados do processo.

Pedidos milionários colocam valores da obra em discussão

Um dos pontos centrais da divergência é o custo da ampliação e dos reajustes pretendidos pela construtora. O contrato original tem valor de R$ 32.109.360,18, enquanto o Termo de Compromisso com o Governo Federal prevê recursos de R$ 35 milhões. No ofício enviado ao Ministério, a Prefeitura apresenta os seguintes valores solicitados ou projetados pela empresa:

ItemValor
Reajuste pedido sobre oito mediçõesR$ 6.620.268,18
Acréscimo de área do terminalR$ 7.366.589,86
Reforço de subleitoR$ 1.079.198,29
Equipamentos da EPTAR$ 3.283.095,25
Acréscimo nas fundaçõesR$ 497.845,86
Supressão nas fundações−R$ 304.860,75

Os valores representam pleitos da contratada, não despesas aprovadas ou dívidas reconhecidas pela Prefeitura. Algumas solicitações são anteriores e outras permanecem sem documentação suficiente para análise.

Separadamente, a construtora apresentou uma projeção de atualização do orçamento original de R$ 32,11 milhões, em maio de 2021, para R$ 45,24 milhões, em maio de 2026, equivalente a um aumento estimado de 40,87%. Essa projeção também não foi validada e não corresponde a uma cobrança integral já vencida.

A administração municipal sustenta que os cálculos devem considerar os serviços efetivamente executados, os índices contratuais aplicáveis e a documentação técnica da solução aprovada.

Valores apresentados para reajuste mudaram três vezes em seis meses

Outro dado relevante revelado pela documentação é a variação dos valores de reajuste apresentados pela Construtora Porto Beton. Segundo o ofício municipal, para um mesmo conjunto de sete medições, no valor original de R$ 10,58 milhões, a empresa apresentou três cálculos diferentes:

Data da solicitaçãoReajuste pedido
5 de abril de 2026R$ 3.667.810,63
25 de setembro de 2026R$ 7.544.935,80
14 de outubro de 2026R$ 4.714.853,34

A diferença entre o primeiro e o último pedido ultrapassa R$ 1 milhão, mesmo com a adoção da mesma data-base, maio de 2021. Para a Prefeitura, essas alterações reforçam a necessidade de documentação detalhada antes do reconhecimento de qualquer pagamento adicional.

A construtora, por sua vez, sustenta nos documentos encaminhados ao Município que existem questões contratuais e técnicas a serem resolvidas, inclusive quanto à ampliação do terminal e à responsabilidade pelos custos.

Terminal de passageiros passou de 2 mil para mais de 3,5 mil metros quadrados

Uma das principais controvérsias envolve o aumento da área prevista para o Terminal de Passageiros. O projeto original apresentado nos cálculos da empresa considerava uma estrutura de 2.062,64 m². A configuração ampliada prevê 3.566,31 m². A Porto Beton reivindica aproximadamente R$ 7,36 milhões por esse acréscimo, argumentando que os custos da ampliação precisam ser examinados e formalizados.

Entretanto, conforme o ofício encaminhado ao Governo Federal, a Prefeitura não reconhece, neste momento, a obrigação de pagar o aditivo. A administração municipal argumenta que o contrato foi celebrado no regime de contratação integrada, pelo qual a construtora assumiu responsabilidades relacionadas à elaboração dos projetos.

Além disso, uma comissão municipal não encontrou, na documentação examinada, determinação expressa da Prefeitura ou do Ministério exigindo a ampliação como alteração contratual. A discussão poderá depender de uma avaliação do Governo Federal sobre eventuais exigências técnicas feitas durante a aprovação do empreendimento.

Obras não foram retomadas e pagamento continua suspenso

A situação representa uma mudança importante em relação às informações divulgadas anteriormente sobre o andamento da obra. Em setembro, a Prefeitura apontava aproximadamente 45% de execução e considerava possível concluir os trabalhos em 2026, dependendo da resolução de pendências administrativas.

Agora, o documento municipal de 30 de outubro confirma que a retomada prevista para o início daquele mês não aconteceu. A execução havia sido suspensa em 19 de junho de 2026. Segundo a Prefeitura, a interrupção ocorreu para permitir a análise de reajustes solicitados pela contratada.

A empresa informou posteriormente que a viabilidade da retomada dependeria da definição dos serviços necessários ao funcionamento seguro do terminal, da atualização do cronograma físico-financeiro e do tratamento administrativo das novas solicitações. Enquanto isso, a nona medição segue sem processamento e pagamento, até que sejam conferidos os quantitativos.

O contrato também está sendo fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, no âmbito do Plano de Fiscalização 2026–2027.

Governo Federal coloca concessão e prazo do contrato em análise

A informação mais recente dos documentos consta do despacho assinado pelo diretor de Investimentos do Ministério de Portos e Aeroportos, Marcio Maffili Fernandes, na terça-feira (3). O diretor encaminhou os documentos apresentados pela Prefeitura à Coordenação-Geral de Investimentos, solicitando avaliação e elaboração de resposta.

O despacho determina atenção especial à proximidade do fim da vigência do instrumento e à inclusão do aeroporto no edital de repactuação da concessão de Brasília. Essa preocupação ganha importância porque a concessão poderá mudar a estrutura de administração e investimentos do Aeroporto Sant’Ana.

O Governo Federal publicou, em 9 de setembro, o edital que prevê a incorporação de dez aeroportos regionais à concessão do Aeroporto Internacional de Brasília, incluindo Ponta Grossa. O projeto federal estabelece cerca de R$ 857,8 milhões em investimentos iniciais para o conjunto dos dez aeroportos regionais, sujeitos a ajustes após diagnósticos técnicos. O leilão está previsto para 17 de dezembro de 2026.

É importante destacar que a existência do edital não resolve automaticamente o contrato atual das obras de Ponta Grossa, nem significa que a futura concessionária assumirá todos os compromissos financeiros em discussão.

Prefeitura admite possibilidade de buscar alternativas para custear reajustes

O Termo de Compromisso nº 04/2019 prevê R$ 35 milhões para o empreendimento. Considerando o contrato original de R$ 32,1 milhões, existe um saldo contratual de referência de aproximadamente R$ 2,89 milhões. No ofício de 30 de outubro, a administração municipal propõe discutir com o Ministério a possibilidade de utilizar esse saldo para cobrir parte de eventual reajuste, depois de apurado e validado.

A Prefeitura também reconhece que despesas que ultrapassem o valor previsto no Termo de Compromisso podem recair sobre o Município, ressalvadas as hipóteses de alterações aprovadas pelo Governo Federal. Entretanto, sustenta que ainda não existe um valor definitivo e tecnicamente comprovado que permita declarar se há disponibilidade orçamentária para arcar com os custos.

O Município também submeteu ao Governo Federal, sem endossá-los, pedidos da construtora relacionados à possível suplementação de recursos e à entrega do terminal por etapas.

Reunião com o Ministério estava prevista para 3 de novembro

O ofício municipal estabeleceu uma pauta para reunião com a Diretoria de Investimentos da Secretaria Nacional de Aviação Civil, agendada para 3 de novembro, às 14h30. Entre os assuntos estavam os impactos dos descumprimentos apontados sobre o cronograma das obras, a vigência do Termo de Compromisso, as alternativas de financiamento e as possibilidades de continuidade do empreendimento.

O despacho federal assinado na mesma data confirma o encaminhamento do ofício municipal para análise, mas não apresenta deliberações finais da reunião nem autoriza reajustes, aditivos ou a retomada da obra.

O que acontece agora com o Aeroporto Sant’Ana?

A documentação indica que o futuro das obras depende de decisões em diferentes frentes. A Prefeitura terá de conduzir o processo administrativo instaurado contra a Porto Beton, no qual serão analisadas as condutas atribuídas à construtora e suas eventuais consequências contratuais.

Paralelamente, será necessário resolver as divergências técnicas e financeiras para estabelecer quais valores, se houver, podem ser reconhecidos e pagos. O Ministério de Portos e Aeroportos deverá avaliar a manifestação municipal e os reflexos do impasse sobre o Termo de Compromisso, especialmente diante da repactuação da concessão de Brasília.

Para Ponta Grossa e toda a região dos Campos Gerais, o cenário gera preocupação com a conclusão de uma obra estratégica para a conectividade aérea e o desenvolvimento econômico regional.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial
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Heryvelton Martins Esse é um jornalista verificado

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Heryvelton Martins é jornalista, com atuação nas áreas de jornalismo político, cultural e audiovisual. Possui experiência em cobertura política, acompanhamento do poder público, produção de reportagens, gestão editorial e comunicação. É fundador do Jornal Colabore, veículo…

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