O lançamento de Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficou cercado de incertezas após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Com previsão inicial de chegar às salas comerciais no primeiro semestre de 2027, o projeto enfrenta tanto o impacto do resultado eleitoral quanto o avanço das apurações sobre o financiamento do longa-metragem.
Entre as alternativas avaliadas nos bastidores está a possibilidade de o filme deixar de estrear nos cinemas e ser disponibilizado diretamente em plataformas de streaming. A distribuidora Europa Filmes demonstra receio de que uma eventual decisão judicial resulte no bloqueio das receitas da obra e comprometa o capital investido.
Investigação policial analisa financiamento milionário
O projeto audiovisual se transformou em ponto de desgaste durante a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro após a divulgação de áudios em que o senador cobra recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso motivou a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, são investigados sob a suspeita de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Uma das frentes da Polícia Federal busca apurar se valores enviados por Vorcaro ao fundo Havengate financiaram a produção ou foram desviados para outras finalidades.
As autoridades também examinam a relação entre transferências internacionais e valores recebidos no Brasil pela Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme. O escopo da análise compreende mais de 20 mil páginas de documentos, que incluem contratos de câmbio, notas fiscais e comprovantes de despesas.
Custos e projeções de bilheteria sob suspeita
O custo total estimado de Dark Horse atingiu US$ 13,39 milhões, o equivalente a cerca de R$ 75,1 milhões. Um levantamento contratado pela própria Go Up indicou que 72% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos, apesar das gravações terem sido executadas no Brasil.
Outro elemento que gerou questionamentos no mercado audiovisual foi o montante alocado para a pré-produção conceitual, que consumiu US$ 2,68 milhões, representando cerca de 20% do orçamento total — patamar consideravelmente acima da média de mercado para produções similares, que costuma variar entre 3% e 5%.
As projeções comerciais do plano de negócios previam arrecadação entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões, cenário que superaria amplamente o recorde atual do cinema nacional, estabelecido em 2019.
A discrepância entre as estimativas de bilheteria e os padrões habituais do mercado brasileiro é tratada pelos investigadores como um indicativo para verificar a viabilidade econômica do projeto e a real finalidade das operações financeiras identificadas.


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