Um projeto de pesquisa desenvolvido pelo curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) apresentou resultados preliminares promissores para solucionar um problema histórico na produção de suco de poncã em Cerro Azul. A iniciativa busca aproximar a ciência das universidades públicas do setor produtivo paranaense.
A proposta foi detalhada em um evento no município com a presença de autoridades, produtores rurais, entidades de fomento e representantes da cooperativa local. A pesquisa é liderada pelos professores Alessandro Nogueira e Ivo Mottin Demiate, reitor da instituição, em resposta a uma demanda do Governo do Paraná iniciada em 2023.
Resultados e testes laboratoriais
Durante a apresentação intitulada ‘Desvendando o amargor em suco de poncã’, o professor Alessandro Nogueira explicou que o trabalho avaliou diferentes tratamentos para reduzir o amargor característico da bebida após a extração. O uso de Florisil, um silicato de magnésio de uso alimentício, apresentou o melhor desempenho com uma redução de 70% na concentração de limonina.
Segundo o pesquisador, a concentração residual ficou abaixo do nível de percepção do amargor sem alterar significativamente a composição do suco. No entanto, a aplicação comercial do produto no Brasil ainda depende de regulamentação específica, enquanto a equipe também acompanha cultivares ao longo de diferentes safras para verificar a ausência natural da característica.
Expectativa de desenvolvimento econômico
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, destacou que o projeto traduz o esforço do Estado em apoiar ativos tecnológicos para solucionar gargalos da sociedade. Para o reitor Ivo Demiate, a atuação da UEPG em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano reforça o papel social da universidade.
Produtores e lideranças locais avaliam que a tecnologia pode viabilizar a industrialização do suco, transformando uma produção atualmente voltada apenas para o consumo in natura. A expectativa do Sebrae na região é de que a inovação ajude a atenuar a sazonalidade da colheita e distribua renda ao longo de todo o ano.


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