A Prefeitura de Ponta Grossa oficializou a prorrogação, por mais seis meses, do contrato com a empresa Soluções Serviços Terceirizados Ltda., responsável pelo fornecimento de alimentação escolar para os estudantes da rede municipal de ensino. O terceiro aditivo ao contrato nº 368/2026 foi publicado em Diário Oficial e prevê o repasse adicional de R$ 40.202.066,00 para assegurar a continuidade das operações até o dia 3 de maio de 2027.
A renovação contratual ocorre em um momento de forte desgaste e questionamentos públicos sobre a atuação da prestadora de serviço, que acumula um histórico recente de falhas operacionais, notificações administrativas e investigações no Poder Legislativo.
Histórico de irregularidades, baratas e multa milionária
Desde o início da operação, a terceirização da merenda escolar em Ponta Grossa tem sido alvo de denúncias recorrentes por parte da comunidade escolar e de parlamentares. Entre as principais irregularidades apontadas estão falhas logísticas no abastecimento das unidades, descumprimento dos cardápios nutricionais previstos em edital e relatos constantes sobre a baixa qualidade dos insumos entregues.
O episódio mais crítico registrado durante a vigência do contrato resultou na interdição sanitária de uma cozinha escolar da rede municipal, após fiscais identificarem a presença de baratas no ambiente de preparo das refeições, além do armazenamento de produtos com prazo de validade vencido. Capturas de tela compartilhadas em aplicativos de mensagens também expuseram alimentos impróprios para consumo que teriam sido distribuídos às escolas.
Diante do acúmulo de problemas, a própria Prefeitura de Ponta Grossa precisou intervir administrativamente. Em outubro, após contabilizar 17 notificações formais contra a Soluções Serviços Terceirizados Ltda., o Executivo aplicou uma multa correspondente a 11% sobre o valor da parcela contratual não executada pela empresa.
Alvo de CPI na Câmara Municipal
Os problemas no fornecimento da alimentação estudantil também motivaram a inclusão do contrato nas investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Terceirizações, em andamento na Câmara Municipal de Ponta Grossa.
A presidente da comissão, vereadora Enfermeira Marisleidy, criticou a decisão do Executivo de manter o vínculo contratual diante da gravidade das denúncias apuradas pelo Legislativo. A parlamentar destacou que, independentemente da transferência da execução para uma empresa privada, a responsabilidade final pela segurança alimentar e pela qualidade nutricional oferecida aos alunos permanece sendo do Município.
O que diz a Prefeitura
Questionada sobre a manutenção de um contrato alvo de sanções e investigações, a administração municipal justificou que a assinatura do aditivo é uma medida estritamente necessária para evitar a descontinuidade de um serviço público essencial.
Segundo a Prefeitura, uma ruptura imediata do vínculo deixaria milhares de alunos da rede municipal desassistidos. O Executivo afirma que a prorrogação por seis meses garante o fornecimento das refeições enquanto os trâmites administrativos referentes às penalidades seguem em andamento e a gestão busca alternativas definitivas para sanar as falhas identificadas no sistema de merenda escolar.


PT exige fim da terceirização da merenda e Mazer aponta que gestão própria custaria R$ 32 mi a menos
Fundação de Assistência Social apresenta Portfólio e Banco de Projetos
Câmara Municipal retoma o projeto Câmara nos Bairros no Jardim Maracanã em Ponta Grossa





Comentários
Participe da conversa com respeito. Os primeiros comentários de cada conta passam por moderação.
Comentários são exclusivos para leitores com conta no Jornal Colabore.