A ausência de saneamento básico no Brasil reflete diretamente na trajetória de estudantes. Dados do IBGE referentes a 2024, compilados pelo Instituto Trata Brasil por meio do Painel Saneamento Brasil, revelam que indivíduos com acesso aos serviços completam, em média, 9,5 anos de educação formal. Em contrapartida, a média cai para 7,5 anos entre aqueles que não dispõem da infraestrutura.
O impacto é perceptível em todas as regiões do território nacional. O Sudeste concentra a maior discrepância, alcançando 9,95 anos de escolaridade para a população com saneamento e 7,81 anos para a parcela sem o serviço, o que representa um distanciamento de 2,14 anos. Na sequência aparecem o Centro-Oeste (2,01 anos de diferença), Nordeste (1,77), Sul (1,62) e Norte (1,14).
Saúde e impacto na renda
A conexão entre educação e saneamento passa pelas condições sanitárias. Meninos e meninas sem acesso adequado a água tratada e esgotamento sanitário sofrem maior exposição a enfermidades de veiculação hídrica, a exemplo de hepatite A e diarreia. Tais ocorrências geram ausências frequentes nas salas de aula e elevam o risco de abandono escolar.
Os reflexos dessa defasagem estendem-se para a vida adulta. Conforme estimativas do Instituto Trata Brasil, jovens contemplados com saneamento na infância e na adolescência podem atingir, futuramente, uma renda até 46,1% superior em comparação aos que cresceram sem tais serviços.
Para reverter esse cenário, o Marco Legal do Saneamento fixa a meta de universalização para o ano de 2033, estipulando o atendimento de 99% dos brasileiros com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.







