Ponta Grossa·ter, 15 de setembro
JustiçaPato Branco

Falsos diagnósticos de câncer: médica de Pato Branco é condenada a mais de 11 anos

Profissional foi sentenciada em primeira instância por crimes que incluem estelionato, lesão corporal e exercício ilegal da profissão.

Crédito da foto: Reprodução / ICL Notícias Consultório médico com equipamentos e maca de atendimento em clínica de saúde
Fachada e ambiente de atendimento médico no estado do Paraná
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  • A médica Carolina Fernandes Biscaia foi condenada a 11 anos, 8 meses e 25 dias de prisão em regime fechado.
  • Investigação apontou que laudos de câncer de pele eram falsificados para induzir pacientes a cirurgias desnecessárias.
  • O prejuízo financeiro estimado pelo Ministério Público aos pacientes chega a cerca de R$ 130,4 mil.

A médica Carolina Fernandes Biscaia, atuante em Pato Branco, no sudoeste paranaense, foi condenada em primeira instância a 11 anos, 8 meses e 25 dias de reclusão em regime fechado. A sentença decorre de um esquema em que a profissional apresentava falsos diagnósticos de câncer de pele aos pacientes para indicar cirurgias desnecessárias.

As apurações policiais começaram em 2024, motivadas pela desconfiança de pacientes em relação aos tratamentos propostos. De acordo com o inquérito, a médica recolhia amostras de manchas e pintas, mas, nos retornos, exibia laudos laboratoriais adulterados. A Polícia Civil constatou que parte da falsificação de documentos ocorria no próprio consultório por meio de uma máquina de xerox. Além disso, apurou-se que ela se apresentava como dermatologista sem possuir a devida especialização registrada.

Acusações e prejuízo financeiro

A condenação abrange os crimes de exercício ilegal da profissão, 21 ocorrências de lesão corporal e 32 estelionatos. Pelo menos 38 pessoas prestaram depoimento como vítimas no decorrer do processo. O Ministério Público calculou que o prejuízo financeiro total imposto aos pacientes atingiu aproximadamente R$ 130,4 mil.

Entre os episódios relatados, uma paciente diagnosticada incorretamente com melanoma — um tipo agressivo de câncer cutâneo — submeteu-se a uma cirurgia de ampliação de margens na perna esquerda. Ela gastou mais de R$ 5 mil e permaneceu com cicatrizes, descobrindo a fraude ao confrontar o documento da médica com o laudo original emitido pelo laboratório.

Defesa e medidas administrativas

Apesar da condenação em regime fechado, a profissional poderá recorrer da decisão em liberdade. A defesa declarou que a sentença acolheu parcialmente os pedidos apresentados e que irá apelar da decisão.

No âmbito administrativo, o Conselho Regional de Medicina do Paraná aplicou uma penalidade de censura pública à médica em 2024 e, na sequência, decretou a interdição cautelar total de suas atividades por 180 dias, chancela confirmada pelo Conselho Federal de Medicina. Atualmente, o registro da profissional consta como regular no CFM, contudo sem especialidade médica cadastrada.

Fonte: ICL Notícias · Amanda Prado Uso de IA na produção do texto
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