A CPI das Terceirizações da Câmara Municipal de Ponta Grossa recebeu novos depoimentos nesta quinta-feira (29) para apurar problemas recorrentes na execução dos contratos de alimentação escolar. Participaram da oitiva a presidente do Conselho Alimentar Escolar (CAE), Patrícia Malkut, além dos nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação Sonia Cesca e Vagner Antunes.
Durante a sessão, os depoentes relataram falhas na qualidade dos alimentos, escassez de profissionais nas cozinhas e dificuldades na fiscalização das empresas responsáveis pelo fornecimento. O grupo apontou que a situação compromete a rotina das unidades de ensino e a prestação do serviço à comunidade.
Qualidade das carnes e falhas no abastecimento
A presidente do CAE, que também atua como merendeira na rede municipal, afirmou que foram constatadas irregularidades na qualidade dos produtos entregues às escolas. Segundo ela, as carnes apresentam excesso de gordura e nervos, odor inadequado e até mesmo fragmentos que aparentam ser de plástico.
A nutricionista e fiscal de contrato Sonia Cesca corroborou os relatos e destacou que, embora as normas exijam carne magra, o produto entregue frequentemente tem aspecto inadequado. A profissional mencionou que a Secretaria já notificou os fornecedores diversas vezes e chegou a solicitar a suspensão e troca de lotes por falta de condições de consumo.
Além da qualidade, o abastecimento também foi alvo de críticas. Unidades escolares relataram recebimento de quantidades inferiores à demanda necessária, falta de produtos em dias consecutivos e demora na retirada e reposição de itens reprovados pelas equipes.
Falta de profissionais sobrecarrega equipes
Outro ponto central debatido na comissão foi a insuficiência de funcionários nas cozinhas escolares. De acordo com a representação da Secretaria Municipal de Educação, o quantitativo de 280 merendeiras previsto em contrato não é cumprido integralmente, e há carência de profissionais volantes para cobrir ausências e afastamentos.
Os depoimentos indicam que a sobrecarga recai sobre as equipes locais, exigindo adaptações nas porções servidas e prejudicando o planejamento nutricional dos estudantes. A presidente do CAE defendeu que a autogestão anterior, feita diretamente pelo município, oferecia maior autonomia e agilidade na solução de problemas, comparado ao modelo terceirizado atual.


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