O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio do Palácio Itamaraty, emitiu uma nota oficial de repúdio nesta terça-feira (20) em resposta às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando interferência na eleição brasileira.
Em postagens na rede social X, Milei compartilhou um trecho de entrevista concedida por Lula e mencionou receio de supostas artimanhas na votação. Em outra publicação, vinculada a um debate realizado no último domingo (18) entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, o presidente argentino classificou o mandatário brasileiro com termos críticos. Milei é aliado político declarada da família Bolsonaro.
Nota oficial e rejeição a ingerência
Na manifestação formal, o Itamaraty afirmou que o presidente argentino repete inverdades disseminadas por grupos derrotados e associados a tentativas golpistas ocorridas no passado. O texto classifica a postura como antidemocrática, inaceitável e inadequada para um chefe de Estado de uma nação vizinha.
O documento também reforça a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema de votação do país, ressaltando o reconhecimento atestado por observadores internacionais durante o primeiro turno. A chancelaria brasileira enfatizou que o destino político do país compete unicamente aos eleitores nacionais, de forma soberana e sem interferências externas no próximo domingo (25).
Impacto nas relações bilaterais
As reiteradas críticas e ofensas verbais vindas da Casa Rosada provocaram o esfriamento e o rebaixamento dos laços diplomáticos entre Brasília e Buenos Aires ao longo dos últimos meses. Desde o mês de agosto, o governo brasileiro abriu mão de manter um representante diplomático em território argentino e solicitou a saída do embaixador da Argentina da capital federal, após episódios anteriores de conflito verbal iniciados em convenção partidária no final de julho. Os dois países mantêm forte integração econômica e comercial, destacando-se como principais parceiros do Mercosul.


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