O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou nesta terça-feira (20) a economista Pricilla Maria Santana como futura secretária de Estado da Fazenda. Atualmente responsável pelas finanças do Rio Grande do Sul, ela será o primeiro nome confirmado para integrar a próxima administração estadual.
Ao anunciar a escolha, Moro destacou a experiência da economista e afirmou que ela conseguiu manter as contas gaúchas organizadas diante de dificuldades fiscais. Entretanto, os indicadores oficiais do Rio Grande do Sul mostram um cenário de endividamento elevado, que exige uma análise mais ampla sobre a situação financeira do estado.
De acordo com o Relatório de Transparência Fiscal divulgado pelo governo gaúcho em 6 de outubro, a dívida consolidada líquida correspondia a 168,41% da receita corrente líquida no período encerrado em agosto de 2026. O índice permanece abaixo do limite legal de 200%, mas evidencia o peso do endividamento sobre as finanças estaduais.
No Paraná, o Relatório da Dívida Pública de 2025 apontou uma dívida consolidada líquida negativa de R$ 3,5 bilhões, equivalente a aproximadamente -5% da receita corrente líquida. O indicador negativo significa que as disponibilidades e os haveres financeiros considerados no cálculo superavam o estoque da dívida consolidada.
Rio Grande do Sul registra superávit, mas depende de fatores extraordinários
O governo do Rio Grande do Sul informou que encerrou os primeiros oito meses de 2026 com resultado orçamentário positivo de R$ 7,7 bilhões. O próprio relatório da Secretaria da Fazenda, porém, ressalta que esse resultado foi influenciado por fatores extraordinários, incluindo operações de crédito, receitas patrimoniais e a suspensão de pagamentos da dívida com a União.
Até agosto, as parcelas que deixaram de ser pagas ao governo federal, conforme as regras da Lei Complementar nº 206/2024, somavam R$ 9,8 bilhões. Os recursos foram direcionados ao Fundo do Plano Rio Grande, destinado à reconstrução do estado após as enchentes.
Portanto, o resultado positivo não pode ser interpretado isoladamente como uma solução definitiva para os problemas fiscais gaúchos. A situação exige considerar tanto as medidas de gestão financeira quanto as condições excepcionais estabelecidas para enfrentar os efeitos da calamidade climática.
Dados fiscais mostram realidades distintas
Os relatórios oficiais dos dois governos apresentam os seguintes indicadores, referentes aos períodos informados pelas respectivas secretarias da Fazenda:
| Indicador | Rio Grande do Sul | Paraná |
|---|---|---|
| Dívida líquida em relação à receita corrente líquida | 168,41% | -5% |
| Período de referência | Agosto de 2026 | Dezembro de 2025 |
| Resultado orçamentário divulgado | Superávit de R$ 7,7 bilhões até agosto de 2026 | Não utilizado nesta análise |
| Situação da dívida | Pagamentos à União parcialmente suspensos por legislação excepcional | Disponibilidades e haveres superiores à dívida consolidada |
Arrecadação e despesas também exigem atenção
O relatório gaúcho de outubro registra crescimento nominal de 2,4% na arrecadação de ICMS, mas queda real de 1,9%, após o desconto da inflação, em relação ao mesmo período de 2025. As despesas efetivas, por sua vez, aumentaram 8,6%. Os gastos previdenciários chegaram a R$ 12,7 bilhões, com déficit de R$ 6 bilhões no Fundo Financeiro. Já o resultado primário foi positivo em R$ 125 milhões.
Esses números fazem parte do cenário administrado pela equipe econômica comandada por Pricilla Santana desde janeiro de 2023. Também refletem compromissos financeiros históricos, decisões de governos anteriores e os efeitos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
Moro promete reduzir estrutura administrativa
Ao confirmar a futura secretária, Moro também reafirmou a intenção de reduzir o tamanho da administração estadual. Segundo o governador eleito, a medida busca diminuir a burocracia e aumentar a eficiência dos serviços públicos. Até o anúncio desta terça-feira, contudo, não haviam sido detalhadas as secretarias que poderiam ser reunidas ou extintas, nem a economia prevista com a reorganização.
Pricilla terá ainda a responsabilidade de acompanhar a implementação da Reforma Tributária. Desde agosto de 2026, ela ocupa a segunda vice-presidência do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Com a nomeação, a futura gestão do Paraná inicia a formação de sua equipe econômica em meio ao debate sobre gastos públicos, endividamento e reorganização administrativa.
A apresentação das metas fiscais, das mudanças na estrutura do governo e das primeiras propostas orçamentárias permitirá acompanhar como a nova equipe pretende conduzir as finanças paranaenses a partir de 2027.


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